Wednesday, November 18, 2009

Num vídeo... ups

A verdade é que a fama levanta sempre alguns problemas e a exposição via net é apenas um deles. Se existem aqueles que a utilizam para se fazerem conhecidos ou se manterem na berra, no último grito, outras pessoas notam que esse mesmo meio de comunicação é um facto para as deixar mais acabrunhadas...
É o que se passa com Enrique Iglesias que, segundo o Correio da Manhã, viu ser espalhado pela net um videoclip seu que havia sido proibido. Este facto deve-se à sua aparição de modo um tanto ou quanto sensual, diria mesmo ousado. Segundo o jornal há uma classificação de erótico pelo facto de aparecer nu e chegar a ter gestos eróticos com uma actriz porno.
Comentários de parte, a verdade é que este artista ainda jovem com uma música que é um cover de uma música de Bruce Springsteen, conseguiu arrecadar para junto de si mais uns quantos fãs (homens e mulheres) que o apreciaram - eu diria, comeram com os olhos - o seu corpo exibido de forma lânguida e até mesmo luxuriosa.
O vídeo chegou mesmo a ser proibido pela mtv... muito puros e castos eles são... bom, só me resta dizer para que o vejam e façam o vosso comentário. O meu comentário pessoal é de que se em vez de uma actriz fosse um actor, muito mais tinta correria pelas revista e notícias cor-de-rosa; mas eu preferiria lololololol

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Tuesday, November 17, 2009

um conto como ha muito não fazia - erótico

Ainda ontem numa viagem de comboio me deparei com um rapaz bem bonito cujo olhar me cativou. Sim, é verdade que ele era bonito, mas não me preocupei com o facto de a minha “mirada” o incomodar, o que me foi revelado pelo constante remexer do corpo no banco. Durante esta viagem não pude deixar de pensar nas incríveis fantasias que todos nós temos e criamos com as pessoas à nossa volta e que dão a volta ao nosso quinto membro. Sim, como as mulheres dizem e muito bem, muitas vezes pensamos mais com a nossa cabeça de baixo que com a de cima. De qualquer maneira não deixam esses pensamentos de ser um tanto ou quanto interessantes.
Este rapaz, cujo porte poderia ter os seus vinte e sete anos, cabelo cortado curtinho com as pontas um pouco clareadas e penteadas em feitio rebelde. Olhava eu para aqueles olhos verdes cor de relva na qual o deitaria, e para a sua profunda timidez. Percebi, no instante em que reparei que estava sentado quase à minha frente, que a viagem de regresso a casa teria o seu ponto de interesse. Vestia ele umas calças de ganga claras com duas manchas gastas pouco acima dos joelhos, espaço mais que suficiente para ver que as pernas se apresentavam sem pêlos e que uma mão poderia caber e fazer uma viagem até um ponto mais acima. Por cima uma sweat justa no peito. Um amigo meu diria que o pó é pó e as cinzas cinzas, mas o que é uma bonita camisa sem um belo peito dentro. Bem justa ela se mostrava a ponto de me aperceber que os mamilos estavam rijos... não sei se seria da minha insistência, ou da minha vontade em o ver desejar-me. A verdade é que aqueles pontinhos bem carnudos elevavam um pouco o fino tecido dando vontade de os apertar, lamber e com eles brincar. Também os peitos tinham o seu ar de interessante: estavam fortalecidos, possivelmente da enorme quantidade de horas no ginásio, ou então de um trabalho muito corporal onde a força é exigida (que bem me saberia um pedreiro ou um militar). De qualquer maneira o rapaz tinha o tronco como que feito com as linhas adequadas. O meu desejo era tirar-lhe a sweat para revelar a bem definida barriga com os abdominais a revelarem-se em chocolatinho. Como a puxaria para trás do pescoço e o faria posar nos bancos desta carruagem para a minha máquina fotográfica. As pernas estariam bem abertas, as mãos a passarem pelo peito, o olhar malandro a fitar-me na câmara. Um montinho se aperceberia junto do botão das calças aberto, como se algo estivesse para sair para fora, algo bem duro e muito provocador. Pelo botão aberto das calças se veria aparecerem umas cuecas de licra, pretas, justas, bem modeladas ao que lá dentro se acharia, neste momento já desperto... lhe daria um momento para que nas calmas tirasse as calças com toda a sensualidade. Baixou os jeans mostrando a curvatura das nádegas. Esses músculos rijinhos, bonitos, a sobressair das cuecas ck escuras. Neste momento já estava bem entesado e não me rogava a fotografar o rapaz com as minhas calças abertas e o tronco nu. Via que toda a carruagem se enchia de cheiros voluptuosos a seda, chocolate, a frutas, canela, folha de tabaco... o revisor, homem dos seus trinta e dois, com o porte de quem nunca deixou de correr pela praia com os músculos do peito a subir e descer com as passadas, mostrou-se e largou pelo fecho das calças o seu pénis possante. O rapaz que fotografava estava neste momento bem teso. Agarrou-se a um dos manípulos que caíam do tecto para que ía a pé e largou o seu corpo à espera que alguém lhe tirasse o resto da sua roupa e revelasse a sua enorme nudez exposta ao expoente máximo da tesão.
Assim tinha eu este deus exemplar na arte da excitação corporal, um ícone único do que pode um conjunto de hormonas provocar. Assim o tinha eu exposto como que num lugar de tortura para o despir contra a sua vontade, agitando o seu corpo com as palmadas do revisor. Não teria ele bilhete e a multa por tal acção era a subjugação. Ele não se fazia rogado... a sua boca se abria para o revisor e para mim. Assim era a sua dedicação.
O revisor fez-me sinal para que continuasse a fotografar tudo. Registei como ele metia o pau na boca do rapaz e lhe dava palmadas no traseiro e passava o dedo pela passagem proibida pelos textos sagrados. A tudo isto o rapaz gemia de prazer e eu continuava em excitação exponencial. Nunca percebi muito de matemática, mas de excitação um bocado e a verdade é que a tinha no limite quase máximo do prazer. O revisor pegou-me nos braços e o rapaz me tirou as calças e a roupa interior. De seguida ele pegou-me nas pernas e enquanto o revisor me sustinha nos fortes bíceps, ele me enfiava o seu pau. Estava em completa suspensão motivada pelo que podem dois másculos corpos fazer a um outro completamente entesados.
Não sei quanto tempo estive nesta posição, senão apenas que me achei em delírio e passei para cima do revisor que entretanto já se encontrava sentado num dos bancos. Eu nada via, tudo sentia, os meus olhos se fechavam para sentir bem profundamente o que me faziam, a boca se abria para o pau do rapaz e para o seu cu, a minha língua deslizava como os carris deste comboio entre o ânus dele e a sua verga que bem erecta se achava, as minhas mãos apertavam mamilos dos dois. O revisor saiu de dentro de mim para entrar no rapaz que não arranjara bilhete. Este, não contente com a sua entrega a este homem metia a sua boca na minha cabeça de baixo. Sim, é verdade, apenas estava a pensar com esta cabeça, perdoem-me este pecado, mas com dois homens assim quem resistiria...
Bem fundo ele enfiava, e bem ardente o outro mamava. E os cus se abriam à mais pura luxúria para deleite da nossa excitação. Como diria o N. caralhos me fodam que deles bem preciso... ah! Como tudo aquilo me despertava os mais profundos sentidos. Uma boa hora estivemos naqueles provocantes jogos de entra e sai, de mama e deixa-me mamar, de foder e ser fodido... como me sabia a doce laranja a escorrer na pele o suor do revisor e a morangos o suor do rapaz. Uma mistura ácida e doce, provocante e excitante, picante e suave... Como me sabia bem sentir aquela pressão enorme a querer sair, ali, junto à base do pénis, aquela zona que aperta e atinge a máxima da excitação. Como quero eu sentir o pau destes dois a incharem muito na provocante quase chegada do pico do prazer.
Um fauno com um corno de delícias derramaria um suave leite sobre o meu peito, leite de homem feito, leite de vida a escoar, leite sinal puro de luxúria. Algo que apenas é percebido pelos membros masculinos, esculpidos nas entranhas das memórias do pecado... Derramam eles o leite da abundância, o leite do que pode ser feito entre nós três e dos nossos tesos demónios que assaltam os nossos tomates. Como gosto eu de tudo isto... Por fim acaba-se por dar um beijo de despedida no momento em que tenho de sair na próxima paragem...

t.A.T.u.



Pois é... já muito se disse sobre esta dupla de meninas russas. Que eram lésbicas, que não eram e que as suas demonstrações eram apenas golpes de marqueting, que eram e uma delas andava numa de andar com rapazes... enfim... um role de histórias que não me demorarei a explicar ou a colocar a minha opinião sobre o assunto. de qualquer maneira devo informar os visitantes deste blog que estas meninas têm um novo álbum cujo single é o que vos apresento e que não deixo de referir que não deixa de ter a sua polémica pelas histórias que já se fizeram delas.
Apreciem os momentos, se gostarem...

Sunday, November 01, 2009

Neste cabaré - um manifesto?!

Declaro aberto o life cabaré...

O mestre de cerimónias abres o conjunto de números e por nós desfilam figuras mais ou menos vestidas, mais ou menos sensuais. Desfila um conjunto de desejos e de poucas vergonhas que assumimos gostar naquele espaço mas que cá fora é um recanto escondido de nós mesmos. Que escondemos nós dos outros? Que monstros temos nós presos numa jaula prontos a serem largados quando temos as condições adequadas para o fazer.
O sapato de salto alto é calçado no pé da menina ou do homem que se veste de mulher; as lantejolas são o prato principal à mistura com os sete pecados mortais: gula, avareza, preguiça, soberba, ira, luxúria e inveja, tudo bem recheado das maiores delícias que nos percorre a fantasia. O holofote aponta o palco, a mulher de lábios sensuais tange a sua língua, o corpo da mulher mortífera se apega ao chicote e à arma de tortura, o preto é o seu vestir. A cortina vermelha agita-se. Os homens na sala conversam, alguns são marinheiros de passagem, um deles vai-se casar no dia a seguir, um outro gosta de homens mas esconde-se atrás do pudor, um outro é bem rico mas completamente sovina e não se dá ao prazer de largar uma nota para uma das meninas, um outro olha para as pontas perdidas da sua alma e pensa que se calhar o inferno é bem mais divertido que o céu. Se calhar todos nós temos um pouco de cada uma destas figurinhas, se calhar somos todos como estranhas criaturas de um mundo muito imperfeito tentando arranjar meios para nos sentirmos melhores.
Esta descrição deveu-se a uma ida ao teatro ontem a um número de Cabaré, que além do teor sexual muito explícito, tinha a sua ponta de divertido em alguns números. Tudo maquilhado com a mais fina purpurina e enfeitado com os batons mais sensuais que despertam em nós as fantasias que nunca imaginamos. Depois, na rua, após vários copos será visível a bebedeira de uns, a ressaca de outros, ou mesmo a partilha de um abraço em busca de um quarto próximo. Hoje, como sempre, os nossos instintos deixam-nos isso mesmo atrás: quando não os conseguimos suster rebentam com todas as portas até que chegam ao seu espásmico destino e ficam-se como uma felicidade já passada que se retém como a água nas palmas das mãos. Quando os agarramos eles transformam-se, em vez de nos deixar vazios proporcionam-nos a forma de nos deliciarmos com o mundo mais fortemente, de sobrevivermos e de explorarmos o nosso ego. Parece que tudo isto é uma lição de moral, talvez seja, não sei... mas uma lição de moral que é um pouco invulgar, uma vez que não sustento que nos abstenhamos destas delícias ou mesmo dos pecados que nos confundem a alma, mas simplesmente que vivamos com eles e não por eles. Defendo que vivamos, se possível em todas as delícias, com todas as riquezas, com toda a luxúria, sexo, diversão, jóias, mas que acima de tudo, todas essas coisas nos sirvam para fazer felizes e não para nos dar uma ilusão de felicidade, façamos da vida um cabaré permanente com toda a agitação e ar quente no ar, alguma coisa forte, sexual, potente onde a energia da noite nunca se esgota... faço votos disso!

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Wednesday, October 14, 2009

Eleições à parte...

Depois destes momentos em que fomos bombardeados por palavras simpáticas de promessas de melhorar o nosso país, de nos fazerem acreditar que há obras feitas, que acima de tudo temos de seguir em frente e nos deixarmos levar por este ou por aquele, resta-nos agora reparar no resultado final.
Em ambas as eleições foi notável uma vitória do P.S., se bem que para a assembleia a maioria já não se verifica. Os seus maiores rivais foram derrotados e nas segundas eleições os resultados mantiveram-se. A minha opinião é que o P.S. perdeu um pouco da sua força com a escolha de Manuela Ferreira Leite, o tipo de postura que teve e as afirmações que disse, revelaram que o país não estava para seguir uma pessoa que apenas vê a família como forma de reprodução da humanidade, o que é contraponto aos seus rivais que afirmam o casamento entre homossexuais e a educação sexual. Acho que estas campanhas políticas foram das que mais se falaram nesses campos...
Se o mundo muda, as vontades também mudam, assim como os desejos, e se antes um grupo de pessoas que gostava de ter experiências com pessoas do mesmo sexo não via nisso uma forma de amor, mas mais de euforia sexual, hoje os gays querem casar-se. O choque não existe apenas para a população mais conservadora, mas se estivermos a analisar a postura que existia há uns anos veremos que a população mais velha tinha desejos muito diferentes. Antes queriam "foder, foder, foder" - desculpem o calão, mas achei o mais acertado - e muitas cidades viviam de agitações às escondidas, em lugares ocultos, escuros, privados, hoje as coisas mudaram e podemos andar um pouco mais à-vontade na rua, resta é agarrarmos a nossa coragem para o fazer. Assim sendo, os gays começaram a procurar pessoas semelhantes, não apenas para encontros pontuais, mas começou-se a ver um lado emocional e a dar-se mais importância a ele.
Um outro ponto que será bom referir é o facto de que a sida veio criar uma revolução neste meio. O receio de ficarmos doentes com a lista cada vez maior de pessoas que encontramos e temos experiências do foro sexual, aumentam os riscos - essas mesmas pessoas deverão ter estado com mais uma montanha de gente... - temos de nos agarrar em alguém em quem confiemos.
Os namoros começaram a tomar maior importância e hoje em dia é mais que vulgar muitos gays terem relações amorosas umas mais outras menos duradoiras, a ideia de gafanhoto sexual foi-se perdendo...
A confiança que o casal deposita um no outro reforça a ligação mútua que ambos têm. Desta maneira, terão menos receio em se mostrar em público e exibir a sua relação igual à dos javalis (heteros em linguagem codificada).
Em último resta o deixar descendência e as soluções vistas vão sendo muitas e todas com muitos riscos... esperemos que de futuro hajam menos.
Ora, se as coisas nesta comunidade mudaram, outras não mudaram e em Portugal ainda se tem visto muitas vezes um conservadorismo em ambientes gays que deveríam ser os mais abertos às novidades. A preocupação que muitas pessoas têm em se mostrar como iguais às outras faz com que muitas vezes nos castremos. O que acontece no mundo gay e na política é de certa forma muito semelhante, o ser-se conservador é a lei máxima e as novidades só serão aceites quando já se encontram testadas em todos os outros lugares e para não ficarmos atrás temos de nos apressar...
Dá-me vontade de rir ir vendo certas posições antiquadas dos dois lados e em certos momentos querer-se ser novo, inovador... é uma questão do momento em que isso se faz. A coragem de nos lançarmos no desconhecido não faz parte da nossa marca...

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Tristezas...

Tenho em minha casa uma rapariga que se mudou há coisa me mês e meio. Não sei grande coisa sobre a vida dela pois os nossos horários são um pouco incompatíveis. De olhos esverdeados com um sorriso encantador, ela se tem mostrado solícita quando lhe falo por sms em relação aos pagamentos e contas da casa. Raras são as vezes que nos cruzamos – penso que o facto de termos idades bem diferentes facilita o nosso recíproco afastamento um do outro.
Do pouco que sei da vida dela é que trabalha à noite num bar cinco noites por semana. Ganha para os seus gastos. É responsável a nível de contas. Não me tem dado chatices com namorados e coisas parecidas. Em resumo, poderia ser a rapariga ideal com quem me poderia casar.
O que vou contar é acerca desta mesma rapariga. Parte desta história tem a ver com coisas que notava em casa, a maior parte é invenção. Resta a vossas excelências imaginar o que é o quê.
Ontem regressava a casa e estava ela a chorar com a foto de um rapaz na mão. Os seus olhos pareciam cataratas e convertiam o coração mais endurecido. Eu, que raramente a via àquela hora, perguntei-lhe que se passava.
- Ontem o meu primo morreu.
- Os meus sentimentos. Eras muito ligada a ele?
- Sim.
Percebi que não queria falar muito. Uns dias mais tarde tentei perceber junto de uma amiga dela que também eu conhecia se ela percebera o que havia acontecido.
Ele não era só primo mas namorado. Os dois desde sempre andaram muito ligados e com os tempos a relação entre eles foi mudando de forma e assim que Raquel percebera que estava apaixonada outra coisa começava a acontecer: a puberdade. O crescimento dos seios e o escorrimento de sangue mensal começaram a afligi-la de tal forma deixou de querer continuar a ser uma rapariga. Cortou o cabelo contra a vontade dos pais, chorava por todos os cantos, gritava quando lhe queriam por a vestir saias ou a brincar com bonecas. Além de já não ser criança não era mais uma mulher. Não seria mais.
Lia, a minha colega de apartamento também começou a sentir algo por aquela rapariga e ao saber que ela não gostava de ser como era apoiou-a.
As duas fizeram promessas de eterno amor, acontecesse o que acontecesse. Os beijos que trocaram foram intensos demais para serem vistos pelos seus pais. Um mês depois Raquel começava os tratamentos para mudar de visual, mudar de voz, mudar tudo... as idas e vindas aos hospitais e as constantes marcações de exames e aconselhamentos psicológicos acabaram por degradar um pouco a relação já em si mesma tão perigosa. Lia começou a perceber que não conseguia de Raquel o tempo que ela queria.
Seguiram-se as discussões e as ameaças e as fragilidades de cada uma revelaram-se. Lia deixou de estudar e resolveu mudar de terra. Raquel há muito que tinha abandonado os livros pensava agora apenas em terminar a sua transformação para caminhar para a vida como um homem novo.
Foi nessa altura que Lia procurou casa e a achou comigo. Lembro-me que quando a vi achei que não estava emocionalmente muito bem e tentei falar com ela acerca disso. O problema era ela ser um pouco reservada e a minha curiosidade ficou-se por aqui.
Eu penso que Lia nunca conseguiu lidar muito bem com o seu afastamento da prima, desculpem, primo. A foto dele que arranjou foi dada por uma amiga de ambos que dera a Lia dizendo que o Sérgio (ex-Raquel) sentia a falta dela. O coração de Lia ainda estava a sarar as várias feridas que as passadas discussões haviam aberto e não respondeu, mas resolveu aceitar a fotografia.
Vários dias se passaram, meses... junto a uma ponte por onde Lia passava para ir para o trabalho cruza-se com um rapaz que a olha fixamente e ela olha-o de forma intensiva. Sem que soubessem, ambos os primos tinham-se cruzado. O tempo modelara neles caras que os tornou irreconhecíveis um para o outro. Era como se fosse um estranho encantamento.
Para infelicidade de Lia, não haveriam de cruzar os seus caminhos naquela ponte outra vez.
Ela foi vivendo a sua vida de forma a que ninguém a perturbasse ou a fizesse cair e lembrar o passado. A verdade é que por vezes procuramos tão afincadamente fugir do nosso passado e ele espera e aguarda pacientemente pelo seu momento. Se Lia não havia curado as suas feridas a verdade é que as de Sérgio também não e no caso dele o seu efeito doi muito mais. Em certo dia ele entra em coma no hospital com um derrame. Passa vários dias acamado sem perceber onde está por viajar no seu sonho quase na fronteira com a morte. Ele apenas acorda para escrever as suas últimas palavras:
“Eu não sei mais o que procuro neste mundo. Parece que tudo o que começo a fazer se desfaz nas minhas mãos como a água que nelas não pára. O único amor que comecei e que será para sempre único começou e acabou e os meus dias que vão chegando ao fim impedem o recuperar. As lágrimas que chorámos os dois – pois sei que o fizeste – mudaram o nosso rosto, as nossas vidas.
A dor que sinto no peito é já antiga, é uma dor que estou habituado a tê-la e comigo a levar para a minha eternidade. As desculpas últimas não servem para corrigir os nossos erros. Que sirvam ao menos para ajudar a sarar...”
Dois dias depois morreria e alguém entregaria aquelas mesmas palavras a Lia. Nesse mesmo dia chegaria ela a casa banhada em lágrimas com o coração nas mãos e a culpa de ter ela morto o seu primo, se bem a conheço. Eu achei estranho ela aparecer em casa naquele dia e por isso lho perguntei; não imaginava que a resposta magoasse tanto como a ferida de um punhal. Um punhal que tinha trespassado a pele e feito uma ferida bem funda que ficou a remoer como um cancro que aniquila o nosso interior.
Somos por vezes estranhos vizinhos de uma dor que não pecebemos, que não sabemos falar mas que nos apetecia reconfortar... a nossa incapacidade de agir torna-se então soberana. Não sei se agi bem ou não. Apeteceu-me chorar mas não consegui. Apeteceu-me dizer-lhe algo mas não saía som da minha boca.

Monday, September 14, 2009

Salomé de Carlos Saura


Não sou pessoa de criticar muito um filme. Faço comentários consoante me agradem ou me desagradem.
Um dos últimos filmes que vi e que me prendeu foi Salomé de Carlos Saura, o mesmo que realizou Fado e Tango. Em termos técnicos o filme começa com 28 minutos em jeito de documentário onde o realizador faz uma apresentação do espectáculo apresentando os actores principais assim como dá pequenos apontamentos referente à escolha de figurinos, criação da coreografia, elementos cénicos, preparação dos actores,...
Do casting fazem parte Aída Gómez como Salomé, Pere Arquillué como director, Paco Mora como Herodes, Javier Toca como João Baptista e Carmen Villena como Herodias.
Duração 85 minutos, em inglês e espanhol.
Depois desta primeira parte começa o espectáculo propriamente dito onde nos aparece Herodes acompanhado de Heródias e que numa cena cortesã assedia Salomé. Esta ouve João Baptista a falar e deseja vê-lo. Assim que lhe é trazido ela apaixona-se por ele. João apesar de se sentir bastante tentado vai recusando as propostas de Salomé e por fim afasta-se. Salomé, qual filha mimada, não aceita esta recusa e por causa de uma paixão tão grande faz uma dança a Herodes a troco da cabeça de João numa bandeja de prata.

A nível coreográfico é interessante notar as influências do flamengo, de danças orientais, dança contemporânea assim como da dança dos derviches. De notar também o aproveitamento da luz para criar um cenário bastante simplista mas que provoca impacto. Para além de tudo isto importa referir que ao longo de todo o espectáculo aparece-nos uma linguagem que não é falada e se notam as várias falas de cada uma das personagens. Para quem tenha lido a peça Salomé de Oscar Wilde será uma surpresa ver que neste espectáculo varias imagens que ilustram a edição original da peça foram reproduzidas em palco com uma certa mestria. Dou a toda a equipa os meus parabéns.